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Homem-Aranha e a construção do heroísmo

(Crédito: Divulgação - Sony Pictures) (Contém spoilers) A cada instante chegam novas informações a respeito do novo filme do Homem-Aranha, que provavelmente trará uma adaptação do Aranhaverso em live-action. Mais do que nunca, o personagem está em alta. Talvez o herói mais famoso da Marvel Comics, o Cabeça de Teia é um dos mais empáticos da galeria da editora - Peter Parker é alguém como qualquer outro, sem grandes diferenciais. Ele não é rico, carismático ou super-forte; ele é um adolescente introvertido e "nerd" que só se dá mal. Vive em dívida pois não consegue pagar o aluguel, e faz de tudo para conquistar o amor da sua vida. O personagem foi vivido nas telas inicialmente por Tobey Maguire (na trilogia de Sam Raimi), depois por Andrew Garfield (nos dois filmes de O Espetacular Homem-Aranha) e agora é interpretado por Tom Holland (no MCU). A grande pergunta feita por cinéfilos e fãs de quadrinhos é: qual deles é o melhor? Depende. Mas vou dizer por que acho que o melhor ai...

A Voz Suprema do Blues (2020) - A despedida de Chadwick Boseman

São 00:30 e acabei de assistir ao último filme de Chadwick Boseman, A Voz Suprema do Blues (disponível na Netflix). Fazia muito tempo que não chorava tanto. A Voz Suprema do Blues conta um fragmento real da vida da cantora Ma Rainey, quando ela e sua banda gravaram algumas canções em estúdio, entre elas a que dá título ao filme (em inglês), Ma Rainey's Black Bottom. A gravação foi conturbada por diversos motivos, entre eles o atrito entre a cantora e o trompetista Levee, que queria maior liberdade criativa. Falar mais iria estragar a surpresa, mas o final está longe de ser feliz. Baseado em uma peça de August Wilson (o mesmo autor de Fences, cuja adaptação também conta com Viola Davis), o filme acerta na transposição de linguagem, e isso se reflete especialmente na direção de fotografia. A câmera transita entre os personagens de maneira bastante fluida, como se estivesse no palco - há momentos, como os monólogos de Levee, que contam com planos estáticos (e geralmente próximos) que ...

CineBR #2 - Tudo Bem no Natal Que Vem (2020)

Jorge não gosta de Natal. Ele passa mais um Natal com a família, que como sempre acaba em confusão e estresse. No dia seguinte, se surpreende ao perceber que é Natal - novamente. Ele cai então em uma "maldição": cada vez que acorda é a mesma festividade, só que no ano seguinte. Assim, vê sua vida passar e perde o controle de tudo, começando aos poucos a valorizar os pequenos momentos. A premissa é bastante clichê no papel (vide filmes como O Feitiço do Tempo, o precursor desse recurso narrativo), mas inova ao adicionar o fator passagem do tempo. Este elemento soma demais à proposta, tornando Tudo Bem no Natal que Vem um filme altamente reflexivo sobre, mais do que aprender o valor da família e do Natal em si, as decisões que tomamos na vida e suas consequências - e responsabilidades. No terceiro ato há um sentimento de nostalgia e retrospectiva, além de uma certa tristeza, que, especialmente no ano em que vivemos (2020), atinge fundo todos que assistem. Ao mesmo tempo, a hist...

X-Men e a ascensão dos filmes de super-herói

(Crédito: Divulgação - The Walt Disney Studios / 20th Century Studios) (Contém spoilers) X-Men é uma das equipes mais conhecidas de super-heróis dos quadrinhos, e uma das mais complexas. Por trás das aventuras da superequipe, há um comentário social muito forte - não à toa as personalidades de Charles Xavier e Magneto foram criadas espelhando, respectivamente, Martin Luther King Jr. e Malcom X. Além disso, suas histórias dialogam com temas como visibilidade LGBTQ+; alguns diálogos deixam isso bem claro, como veremos mais adiante. Mesmo com sua popularidade nas HQs, uma mídia que auxiliou muito nesse processo foi o cinema - mais precisamente o filme X-Men, de 2000. Bem antes do MCU, a Marvel até então não contava com muitas produções cinematográficas. Nesse contexto, Blade foi um grande sucesso comercial na época, abrindo as portas para a empresa na sétima arte, e X-Men confirmou isso. O resto é história. O sucesso do longa acabou gerando uma franquia bastante cultuada que foi de altos ...

Atualizações

Olá, pessoal! Entramos em dezembro, nesse ano tão louco que foi - e está sendo - 2020. Um ano de muitas perdas e transformações, inclusive no mercado audiovisual. O cinema foi uma das artes mais afetadas pela pandemia de Covid-19; não apenas os estabelecimentos comerciais, a produção de filmes foi imensamente atingida, com diversas produções tendo que ser interrompidas ou até mesmo canceladas. Falo por experiência própria: um pouco antes de a quarentena começar, estava finalizando a pré-produção de um curta-metragem, que agora se encontra em hiato indeterminado. Mesmo assim, 2020 me ensinou coisas valiosas. Foram necessárias muitas adaptações, especialmente com a vinda em massa da internet como meio de comunicação, trabalho e estudo - um processo que já estava acontecendo há um tempo, mas que nesse ano se intensificou muito. Minha formatura foi online. Realizei, e estou realizando, vários cursos online que estão complementando demais minha formação. Sempre preferi contato presencial, e...

Os Novos Mutantes (2020)

X-Men foi um dos filmes mais importantes de super-heróis da história. Foi um dos pioneiros do gênero, e abriu a porta para todas produções que vemos atualmente (vide o MCU). É uma franquia, entretanto, que se desgastou muito com o tempo, ainda mais após a compra da Fox pela Disney - que mudou radicalmente os planos para a superequipe na sétima arte. Com uma linha temporal bastante confusa, o último filme até então era Fênix Negra, que concluiu de maneira amarga (e altamente insatisfatória) o arco dos mutantes clássicos. Os Novos Mutantes chega como o último filme pertencente aos X-Men da Fox, agora sob o nome 20th Century Studios, e... traz elementos interessantes mas está longe de ser memorável. Os Novos Mutantes acompanha cinco jovens mutantes que vivem em um centro de pesquisas, organizado pela doutora Cecilia Reyes. Eles precisam encarar uma misteriosa entidade, que se aproxima do lugar com a chegada da mais nova paciente, Dani, enquanto lidam com a descoberta de segredos em torno ...

Musicais #4 - Sweeney Todd

Junto de Andrew Lloyd Webber, Stephen Sondheim está entre os compositores mais famosos do teatro musical. Considero os dois como os pilares do gênero, os maiores de todos os tempos. É muito interessante perceber os constrastes entre as obras deles: Lloyd Webber costuma fazer arranjos grandiosos, executados por grandes orquestras, além de focar na construção da melodia, enquanto Sondheim é quase que um perfeccionista, prezando por métricas diversificadas e focando nos aspectos mais técnicos - claro que trazendo também melodias memoráveis. Uma de suas peças mais famosas, Sweeney Todd estreou na Broadway em 1979 e ganhou uma gravação oficial em vídeo em 1982, mas foi em 2007 que ganhou fama para além dos palcos, com a adaptação dirigida por Tim Burton. Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet conta a história de Benjamin Barker, um barbeiro inglês que é acusado injustamente de um crime e, por conta disso, é afastado de sua mulher e sua filha pequena. O responsável por isto é o Jui...