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Os dilemas reais da saúde mental (um breve desabafo)

Isso não é uma análise, é apenas um desabafo descontraído de um tema que julgo importante.

Vivemos em uma geração onde cada vez mais pessoas recebem diagnósticos de transtornos diversos, como TEA, TDAH, TAB, esquizofrenia e borderline. Nesse texto, meu intuito é trazer um breve comentário acerca da vivência real de um transtorno. Recentemente fui diagnosticada com TAB (Transtorno Afetivo Bipolar) tipo 2, e isso, embora não mude minha vivência no dia-a-dia, foi uma pequena conquista, poder nomear formalmente os inúmeros sintomas que vinha sentindo desde 2024 (até antes, mas 2024 foi o ano em que isso tudo aflorou mais fortemente em mim). Antes de receber um diagnóstico, foram muitas e muitas suspeitas, sempre tendo o TAB como primeira possibilidade. Por um tempo eu fui aquele tipo de pessoa "chata" que, a cada cinco palavras, uma era "bipolar", como se minhas únicas características fossem meus, na época, possíveis sintomas. Enquanto seguia agindo da mesma maneira, fazendo as mesmas coisas, sem traçar muito os limites do meu "possível transtorno" e do que era parte da minha personalidade e do meu jeito, minhas características inatas. Durante essa fase, que foi um pouco após começar tratamento psiquiátrico pela primeira vez, decidi abandonar o tratamento logo no começo, o que resultou em uma das fases mais caóticas e perigosas da minha vida. Estava desacreditada fazia alguns meses com meu tratamento psicológico, necessitando trocar de profissional, mas não sabia manifestar, e isso somado a outros fatores me fez tomar essa decisão.

Então, entrei em um período de alguns meses de euforia desenfreada, gastos, bebida (muita bebida), uso de drogas e inúmeras histórias, algumas que ainda hoje me assustam ao lembrar. Algumas absurdas que envolvem risco de vida. Algumas criativas envolvendo mistura de drogas e situações inusitadas na rua. All fun and games, enquanto eu saía viva no final, e com meus pertences (ou alguns deles ao menos). Se eu dissesse que não foi divertido isso tudo, estaria mentindo. Foi divertido. Até demais. Esse é um aspecto, mania, ou até mesmo hipomania (que são coisas diferentes) é um sentimento muito bom. Comparo ao sentimento de usar cocaína, em inúmeros sentidos. E se somadas então... é o combo letal. Mas essa brincadeira tem seu custo. Mesmo sem freio nem senso de consequência, eu observava o que acontecia ao meu redor, e claro, lidava com as oscilações de humor, que pioravam com o uso de substâncias. Enquanto os altos eram agradáveis - até demais - os baixos eram terríveis. Eu só não olhava para eles. Não queria olhar. Mas sempre estiveram ali.

Após cerca de sete meses nesse ritmo, uma dessas histórias aparentemente "incríveis" foi tão longe que me levou ao HPS e escancarou a verdade que não queria admitir: que eu precisava mudar urgentemente. Consegui ficar limpa, não de imediato, mas até que rapidamente. E isso foi um movimento importante, pois a partir daí eu consegui traçar de fato o que era meu, o que era do meu "possível transtorno" e o que era das substâncias. Foi aí que troquei de profissionais, e isso também deu uma enorme diferença. Aceitei tratamento e, ainda que não obedecesse 100%, obedecia 90%, o que já era uma grande conquista. E aí comecei a observar coisas que não observava, como meu humor constantemente depressivo, um traço que carrego desde que sou adolescente - mas jurava que era a "maníaca desenfreada". Na verdade, eu era mais introspectiva, mais deprimida e, gradualmente, vinha mais recorrentemente sentimentos ruins como a detestável ideação suicida. Um dos piores sentimentos que se pode sentir.

Se eu disser que minha vida magicamente mudou da noite para o dia após eu sair da porta do HPS, também estaria mentindo. Tudo que aconteceu de lá para cá depois não foi nada fácil, mas as coisas ficaram mais... claras. E o mais importante: consegui deixar de me enxergar como a "doida bipolar", e sim como quem eu realmente sou. Com minhas qualidades e defeitos, meus desejos, sonhos, inseguranças, sexualidade, e sim, um transtorno. Também. Ainda hoje eu cometo deslizes de vez em quando, tenho meus picos de hipomania, episódios de depressão, mas sei que, com remédios, profissionais e minha rede de apoio em dia, de alguma maneira eu vou dar conta.

Lancei álbuns, projetos de vídeo, estou gravando meu primeiro single em estúdio, cursando minha segunda graduação em Psicologia e trabalhando. A vida segue. Cada dia é uma luta, alguns dias são difíceis - ô se são - mas no final, de alguma maneira, a gente sempre vence.

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