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Além da Barreira das Legendas #8 - Betty Blue (1986)

Tenho uma lista de filmes que quero muito comentar aqui no blog, e esse é um dos que estavam no topo da lista. Um dos meus filmes franceses preferidos, reassisti ontem especialmente para fazer esta análise, e pude perceber vários aspectos que não havia percebido na primeira vez que assisti. Clássico cult dos anos 80 e um dos filmes franceses essenciais, Betty Blue é um dos melhores filmes que já assisti na vida. Eis os motivos pelos quais acho isso.


Betty Blue (1986)



Betty Blue é um romance erótico bastante ousado que acompanha Betty e Zorg, dois jovens que vivem uma relação intensa. Só que esse sentimento vai ficando tão intenso que chega um ponto em que os dois não dão mais conta, e tragédias começam a acontecer. Apesar da história simples, o filme é bem denso e reflexivo, ainda mais na versão do diretor - cuja duração é de 185 minutos, que passam voando. Lembro que quando assisti a primeira vez achei extenso demais, mas revisitando pude perceber que cada momento, cada plano é essencial para o storytelling.

O grande destaque de Betty Blue é a atmosfera, e os principais elementos que a constroem são as atuações e a trilha sonora. Béatrice Dalle é brilhante no papel de Betty, especialmente nos minutos finais. É perceptível a entrega da atriz, que deixa à mostra a intensidade da personagem em todos gestos, olhares e tons de voz. Sua química com Jean-Hugues Anglade é muito boa também - os momentos finais são de cortar o coração. O elemento chave para Betty Blue ser Betty Blue, entretanto, é a trilha sonora de Gabriel Yared. Uma das trilhas mais lindas que já ouvi na vida, não depende do filme para ser ouvida (ao contrário da maioria das scores, que dependem da experiência de assistir ao filme para trazer sentido), e estruturalmente é perfeita. Junto a Cinema Paradiso e Oldboy, faz parte da minha tríade de trilhas sonoras preferidas.

Além disso, a direção de fotografia é maravilhosa, tanto em composição quanto em aspectos técnicos. E sua principal aliada é a edição. Inclusive utilizei esse filme como exemplo em uma palestra que fiz sobre montagem e edição cinematográfica para uma cadeira da faculdade, mais precisamente a cena final.


The moments of happiness. (Crédito: Divulgação - Gaumont)

Outro aspecto que observo bastante nos filmes, quando há situações assim, é a abordagem do sexo e da nudez. Geralmente assuntos tabu (infelizmente), nem sempre são trabalhados da melhor maneira, e isso vai além de ser explícito ou não, e sim relativo à função que esses elementos exercem na narrativa. Ótimos exemplos de boas abordagens, e que já trouxe aqui no blog, são Shortbus e Tinta Bruta - Betty Blue entra nessa lista, especialmente no quesito nudez. Mais que a nudez feminina, a nudez masculina é algo bem raro de aparecer em filmes, e aqui há diversas cenas em que os atores aparecem nus, mesmo em situações triviais - afinal, é o nosso corpo, não há motivo para escondê-lo. É uma discussão muito interessante e que envolve vários fatores, mas artisticamente falando, Betty Blue é um filme bastante ousado nesse sentido.

Pretendo abordar mais obras do cinema francês aqui no blog. Há muitos títulos incríveis, e com certeza Betty Blue é um dos melhores exemplos.


Nota: 10 / 10

Comentários

  1. É citado no meu conto Trajetos e Trajetórias (livro Estórias para Ler no Sofá). Até hoje ouço a trilha sonora! 😍

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  2. Sim, é uma trilha sonora muito linda.

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