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O Diabo de Cada Dia (2020)

A Netflix tem dividido muito as opiniões nos últimos tempos. Entre vários títulos polêmicos (vide 365 DNI e Cuties), muitos filmes e séries originais surpreendentes estão entrando no catálogo. É o caso de O Diabo de Cada Dia, suspense policial com um elenco espetacular que facilmente é uma das melhores produções da Netflix.


O Diabo de Cada Dia (2020)



O Diabo de Cada Dia acompanha a vida de Arvin e Lenora, dois jovens que passam por experiências traumáticas quando criança e, após perderem os pais, são adotados pela mesma família. Ao mesmo tempo, um policial corrupto, Lee, vive uma relação complicada com sua irmã, que esconde um macabro negócio com seu marido envolvendo fotografias e assassinatos. Os personagens se cruzam no percurso da história, em uma narrativa não linear permeada de violências de todo tipo.

O grande destaque do filme são as atuações, especialmente a de Tom Holland, talvez sua melhor atuação até então. É um papel muito difícil, e Holland imprime a intensidade e a raiva de Arvin em cada gesto, olhar, tom de voz, gerando extrema empatia em quem assiste. Robert Pattinson também surpreende, mostrando, para quem ainda tinha dúvidas, que é muito mais do que o vampiro Edward Cullen. Bill Skarsgård, Eliza Scanlen, todos no elenco são incríveis e estão muito bem. A grande surpresa, entretanto, é Harry Melling (o Duda Dursley, de Harry Potter), que mesmo com pouco tempo de tela apresenta uma das atuações mais intensas. Sebastian Stan é o único que fica um pouco atrás dos demais, mas devido ao seu personagem ser o mais avulso da narrativa.

A construção narrativa é muito boa, tudo se costura quase que perfeitamente; somente o arco de Lee parece estar um pouco desconectado do conjunto. É um personagem com potencial, mas que não possui uma motivação clara até os minutos finais, e mesmo assim não há muita razão para as decisões que ele toma. O principal fator para essa construção ser eficiente é a montagem paralela, que funciona muito bem. É um tipo de montagem que, se feita errada, pode facilmente confundir o espectador, mas em O Diabo de Cada Dia contribui muito para a atmosfera de tensão e desconfiança entre os (e dos) personagens.


Tom Holland em busca de vingança. (Crédito: Divulgação - Netflix)


O roteiro é simples e um pouco previsível em alguns momentos, mas propõe questionamentos muito interessantes, especialmente em torno do fanatismo religioso e suas consequências. A violência também é bem recorrente, e especialmente no primeiro ato é bem explícita, percorrendo o filme inteiro. São cenas bem impactantes, mas que se tornam mais impactantes pelo contexto em que acontecem, e pelas marcas que deixam nos personagens. É um filme bem duro e realista. O único aspecto que destoa disso, talvez para tirar um pouco do peso, é a narração, que complementa mas talvez não fosse necessária - em alguns momentos soa até como se fosse uma narração de conto de fadas, coisa que definitivamente o filme não é.


O Diabo de Cada Dia não é o melhor filme do ano, mas é uma produção intensa e surpreendente, e uma das melhores produções originais da Netflix.


Nota: 8 / 10

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